domingo, 30 de novembro de 2014

Documento assinado pelo PT promete expulsar corruptos do partido

Apesar da medida austera, a resolução editada no encontro retira o termo 'imediato' da expulsão para garantir ao filiado o direito à defesa e ao contraditório

postado em 30/11/2014 00:12 / atualizado em 30/11/2014 08:01
 
No segundo dia de reuniões do Diretório Nacional em Fortaleza ontem, o PT aprovou documento em que assume o compromisso de combater a corrupção. No documento apresentado pelo presidente nacional da sigla, Rui Falcão, o partido se comprometeu a expulsar qualquer filiado que esteja envolvido comprovadamente em escândalos de desvios de dinheiro público. Apesar da medida austera, a resolução editada no encontro retira o termo “imediato” da expulsão para garantir ao filiado o direito à defesa e ao contraditório.
No documento, o partido ainda se mostra a favor do prosseguimento das investigações de denúncias de corrupção na Petrobras. “Concluídas as investigações, queremos que os corruptos comprovadamente provados possam ser punidos. Se houver alguém do PT implicado com provas, ele será expulso”, afirmou Falcão. No primeiro dia de evento, na sexta-feira, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi ovacionado pelos integrantes do partido, com palmas puxadas por Rui Falcão. “Nunca fiz nada de errado. Tudo o que foi arrecadado foi contabilizado. Eu sei o que fiz”, defendeu-se Vaccari aos correligionários.

Quanto as críticas à presidente Dilma Rousseff pelas escolhas para assumir a equipe econômica do governo nos próximo quatro anos – como a indicação do nome de Joaquim Levy ao Ministério da Fazenda –, Falcão preferiu minimizar alegando que as reclamações já foram repassadas à presidente. Em outra área polêmica, Falcão ressaltou enxergar “prós e contras” em colocar Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, lembrando que o PT vai assumir a vaga deixada por ela no Senado. “Nosso maior desafio agora é criar as condições para que a presidente Dilma possa fazer um segundo mandato superior ao primeiro”, assinou no documento.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Novo ministro da Fazenda fala em corte de despesas, mas sem pacotes

Fixou meta fiscal de 1,2% do PIB para 2015 e de ao menos 2% em 2016.
Novo ministro disse ter autonomia para implementar medidas necessárias.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília
Levy concedeu entrevista durante anúncio da nova equipe econômica (Foto: Reuters)Levy concedeu entrevista durante anúncio da nova equipe econômica (Foto: Reuters)
O ministro da Fazenda nomeado, Joaquim Levy, informou nesta quinta-feira (27) que a meta de superávit primário, a economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda, será de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para todo o setor público consolidado (governo, estados e municípios) em 2015.
Em 2016 e 2017, segundo ele, o esforço fiscal não será inferior a 2% do PIB - patamar registrado em 2013. "Alcançar essa meta será fundamental para o aumento da confiança na economia brasileira", declarou Levy a jornalistas no Palácio do Planalto. Para atingir essas metas fiscais, ele informou que algumas medidas que vêm sendo discutidas são de diminuição de despesas. Entretanto, acrescentou que as medidas serão, "não digo graduais, mas sem pacotes, sem nenhuma surpresa".
Questionado por jornalistas, o próximo ministro declarou ter ter autonomia para implementar as medidas. "A autonomia está dada. O objetivo é claro. Os meios a gente conhece. Acho que há o suficiente grau de entendimento dentro da própria equipe e maturidade. Então, acho que essa questão vai se responder de uma maneira muito tranquila. Dizer uma coisa ou  outra não tem muito sentido agora. A gente vai ver no dia a dia como as coisas ocorrem. Quando uma economia é escolhida, há confiança", afirmou.
Resultado das contas públicas neste ano
Nos nove primeiros meses deste ano, as contas do setor público registraram um déficit primário – receitas ficaram abaixo das despesas, mesmo sem contar juros da dívida – de R$ 15,28 bilhões, ainda segundo números divulgados pelo BC. Foi a primeira vez desde o início da série histórica do BC, em 2002 para anos fechados, que as contas do setor público registraram um déficit nos nove primeiros meses de um ano.
Considerado ortodoxo, com uma atuação mais tradicional na economia, Levy, de 53 anos, executou um ajuste fiscal na primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que levou o superávit primário a um patamar médio de 3,5% do PIB (série histórica revisada do BC, sem as estatais) - patamar considerado elevado. Ele ficou conhecido como "mãos de tesoura" na ocasião por conta do controle de gastos implementado nas contas públicas.
Redução da dívida pública
"Primeiramente, cabe notar que vir a suceder o mais longevo ministro da Fazenda em período democrático [Guido Mantega] é mais do que uma honra, um privilégio. O objetivo imediato do governo e do Ministério da Fazenda é estabelecer uma meta de superávit primário para os três proximos anos que contemple a estabilização e declínio da dívida pública", declarou o ministro da Fazenda nomeado.
Joaquim Levy também avaliou que é fundamental para o aumento da confiança da economia brasileira, a consolidação dos avanços sociais e ecomicos e reafirmou o compromisso com transparência e com a divulgação de dados abrangentes.
"As medidas necessárias para o equilíbrio das contas públicas serão tomadas. Como a gente falou, serão tomadas com análise e segurança. Eu acho que o Brasil tem mecanismos capazes disso. É um trabalho que envolve não só o governo federal, mas acho que toda a federação, não só o Poder Executivo, mas todos os poderes. É um trabalho importante pois é o que garante condições de crescimento", declarou Levy.
Tesouro Nacional?
Levy, ao ser interpelado por jornalistas sobre quem será o novo secretário do Tesouro Nacional, não disse que não falaria sobre isso neste momento. "Vamos manter os ritos. A gente têm desafios, coisas importantes a fazer. A gente não está em nenhuma agonia. Vamos ficar tranquilos. Essa é a maneira boa de lidar com os desafios de um novo governo que começa em primeiro de janeiro", afirmou.
Rumores dão conta de que o próximo secretário do Tesouro Nacional pode ser Carlos Hamilton Araújo, atualmente na diretoria de Política Econômica do Banco Central.
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sábado, 22 de novembro de 2014

Tucano critica hipocrisia brasileira: ‘Cada um de nós tem um dedão na lama’


21/11/2014 13:45
Por Redação - de São Paulo



Semler é empresário, advogado e administrador de empresas, formado pela universidade norte-americana de Harvard
Semler é empresário, advogado e administrador de empresas, formado pela universidade norte-americana de Harvard
“Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia”. A observação é do empresário Ricardo Frank Semler, 55, tucano desde a fundação do PSDB, chefe-executivo (CEO) e sócio majoritário da empresa Semco S/A, empresa brasileira reconhecida, internacionalmente, pela reengenharia corporativa e a implementação dos conceitos da democracia industrial que lhe valeram o destaque ao redor do mundo. Sob sua gestão, os rendimentos da indústria cresceram de US$ 4 milhões, em 1982, para US$ 212 milhões em 2003. Em artigo publicado na edição desta sexta-feira no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, no qual mantém uma coluna semanal, o empresário, advogado e administrador de empresas formado pela universidade norte-americana de Harvard não poupa críticas à sociedade brasileira.
Intitulado Nunca se roubou tão pouco, Semler inicia o texto com a certeza que “não sendo petista, e sim tucano”, sente-se à vontade para constatar que “essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país”.
Leia, a seguir, a íntegra do artigo:
Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.
Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.
Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent“, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.
Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão – cem vezes mais do que o caso Petrobras – pelos empresários?
Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?
Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.
Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.
É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.
Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.
Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.
A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.
O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.
É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.
A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.
Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.
Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?
Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.
O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Procuradoria fecha 1ª delação com empreiteiras na Lava Jato



O Ministério Público Federal fechou com o grupo Setal o primeiro acordo de delação premiada com empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato.
As companhias do Setal possuem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a estatal. O acordo também envolve o pagamento de indenização aos cofres públicos, de cerca de R$ 70 milhões. O compromisso de delação agora depende de aprovação da Justiça para ter validade.
Dois executivos do Setal, Augusto de Mendonça Neto e Julio Camargo, já haviam assinado delações individuais com a Procuradoria.
Os dois afirmaram terem entregue R$ 30 milhões em propina para a diretoria de serviços da Petrobras, comandada por Renato Duque entre 2003 e 2012. As autoridades apontam Duque como o principal operador do PT.
O acordo complicará a situação de empreiteiras que tenham participado de crimes com o grupo Setal –a Procuradoria quer usar a legislação contra cartéis, que confere apenas ao primeiro delator a chance de obter todos os benefícios legais da delação premiada, como a redução de penas. Porém, as construtoras poderão fazer novos acordos sobre crimes que não envolvam o Setal.
Na linguagem jurídica, esses arranjos recebem o nome de acordo de leniência. Um exemplo foi aquele fechado em maio de 2013 entre a Procuradoria, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a alemã Siemens, que levou à delação do cartel de empresas do setor de trens que fraudou licitações de São Paulo entre 1998 e 2008, em governos do PSDB

domingo, 16 de novembro de 2014


Dilma diz que investigações da Lava Jato podem mudar país para sempre

Na Austrália, presidente falou pela 1ª vez sobre nova etapa da operação.
Na sexta, PF prendeu ex-diretor da Petrobras e executivos de empreiteiras.

Em sua primeira manifestação pública sobre a nova etapa da Operação Lava Jato – que resultou, até agora, na prisão de 23 pessoas, entre as quais presidentes de empreiteiras e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque –, a presidente Dilma Rousseff afirmou que as investigações do escândalo de corrupção podem "mudar o Brasil para sempre". A chefe do Executivo comentou a sétima fase da operação policial em coletiva de imprensa concedida, em Brisbane, na Austrália, pouco antes do encerramento do encontro de cúpula do G20.
"Eu acho que isso [investigações da Lava Jato] pode mudar, de fato, o Brasil para sempre. Em que sentido? No sentido de que vai se acabar com a impunidade. Nem todos, aliás, a maioria absoluta dos membros da Petrobras, os funcionários, não é corrupta. Agora, têm pessoas que praticaram atos de corrupção dentro da Petrobras", disse a presidente da República.
Eu acho que isso [investigações da Lava Jato] pode mudar, de fato, o Brasil para sempre. [...] Não se pode pegar a Petrobras e condenar a empresa. O que nós temos de condenar são pessoas. Pessoas dos dois lados: os corruptos e os corruptores"
Dilma Rousseff, presidente da República
Durante a entrevista em Brisbane, Dilma ressaltou que, na visão dela, é necessário tomar cuidado para não "condenar" a Petrobras pelos atos de corrupção cometidos por alguns funcionários da estatal. A petista destacou ainda que o fato de a Lava Jato ter colocado atrás das grades "corruptos e corruptores" é uma questão "simbólica" para o país.
"Não se pode pegar a Petrobras e condenar a empresa. O que nós temos de condenar são pessoas. Pessoas dos dois lados: os corruptos e os corruptores. Eu acredito que a questão da Petrobras é simbólica para o Brasil. É a primeira investigação efetiva sobre corrupção no Brasil que envolve segmentos privados e públicos", ponderou Dilma.

A presidente reeleita informou que os contratos firmados entre a Petrobras e as empresas investigadas na Lava Jato, operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões, estão sendo revistos. Ela, no entanto, advertiu que não haverá revisão dos contratos envolvendo outras empresas públicas.

A Polícia Federal concluiu neste sábado (15) a primeira etapa dos depoimentos de presos na mais recente fase da Lava Jato. A lista com os nomes de quem depôs não foi divulgada. A previsão é que os depoimentos sejam colhidos até a próxima terça-feira (18).
Conforme balanço divulgado pela PF, além das 23 prisões, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Também foram expedidos nove mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à polícia prestar depoimento) e cumpridos, seis. (saiba quem foi preso e quem está foragido).
Construtoras
Apesar de algumas das maiores empreiteiras do país estarem sendo investigadas pela Lava Jato, Dilma Rousseff ponderou que o país não pode "demonizar" as empreiteiras brasileiras.

"Eu não acho que dá para demonizar as empreiteiras desse país. São grandes empresas e se A,B, C ou D, praticaram malfeitos, atos de corrupção ou de corromper, acho que eles pagarão por isso", defendeu a presidente.
A sétima fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes construtoras, que, apenas com a Petrobras, têm contratos que somam R$ 59 bilhões. Parte desses contratos está sob avaliação da Receita Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal.
Na noite deste sábado, três executivos da empreiteira Camargo Corrêa chegaram à Superintendência da PF em Curitiba e se juntaram a outras 20 pessoas que já tinham sido presos na sexta.
Segundo relato do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, as maiores empreiteiras brasileiras, reunidas em um cartel, combinavam quem ganharia as licitações para obras da Petrobras.
Nessas concorrências, ressaltou o magistrado, as empresas cobravam o preço máximo previsto pela licitação e depois distribuíam propina em valores correspondentes a 2% ou 3% do contrato – tudo isso era combinado previamente. Em notas divulgadas na sexta-feira, após as prisões de vários executivos das próprias empresas, as empreiteiras investigadas negaram participação em irregularidades e se colocaram à disposição das autoridades.
Um dos colaboradores do Ministério Público Federal nas investigações da Operação Lava Jato, o executivo da empresa Toyo Setal Augusto Mendonça Neto, revelou em depoimento a procuradores da República que pagou entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque por meio de contas bancárias na Suíça e no Uruguai.
Neste sábado, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, negou seis pedidos de habeas corpus em nome de 11 executivos ou funcionários de empreiteiras presos na sétima fase da Operação Lava Jato
Cartas de demissão
Indagada na coletiva de imprensa sobre possíveis desdobramentos políticos da Lava Jato, Dilma disse que, na opinião dela, as prisões e as novas informações reveladas pela Justiça Federal sobre as irregularidades na Petrobras não influenciam em nada o apoio do Congresso ao seu governo.

Dilma não quis falar sobre a reforma ministerial que ela deve começar a promover assim que retornar da viagem à Austrália. Ela se limitou a afirmar que todos os integrantes do primeiro escalão já entregaram cartas nas quais colocam seus cargos de ministros à disposição da chefe do Executivo para facilitar a troca dos titulares das pastas, mas que isso não isso não interfere na hora de fazer a mudança.

"Eu não me sinto mais à vontade [com o fato de eles terem deixado os cargos à disposição], nem menos. Eu acho que é um gesto elegante dos ministros. Porque não é necessários o ministro deixar a minha disposição, ele está a minha disposição", declarou.

Contratos suspeitos
Os principais contratos da Petrobras sob suspeita são a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que teria servido para abastecer caixa de partidos e pagar propina, e o da construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, da qual teriam sido desviados até R$ 400 milhões.

Segundo depoimento de Paulo Roberto Costa, o PT recolhia para o seu caixa 100% da propina obtida em contratos das diretorias que a sigla administrava, como, por exemplo, as de Serviços, Gás e Energia e Exploração e Produção. Na delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento contou que, se o contrato era de uma diretoria que pertencia ao PP, o PT ficava com dois terços do valor e o restante era repassado para a legenda aliada. Os partidos negam as acusações.
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sábado, 15 de novembro de 2014

No G-20, Dilma teve conversa informal com Obama

O diálogo acontece em meio à expectativa da retomada das negociações para a visita de Estado de Dilma Rousseff aos Estados Unidos

Presidenta Dilma durante entrevista ao Jornal da Record  (Foto:  Roberto Stuckert Filho/ PR)
 
A presidente Dilma Rousseff teve uma conversa informal com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no início da noite deste sábado (15/11) na Austrália (início da manhã no Brasil). Segundo a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, o encontro foi informal e não há detalhes sobre o teor da conversa.
A conversa informal entre os líderes acontece em meio à expectativa de retomada das conversas para a visita de Estado de Dilma Rousseff aos Estados Unidos. Havia, porém, expectativa de uma reunião bilateral entre os presidentes das duas maiores economias das Américas. O encontro, no entanto, não foi confirmado até o início da noite deste sábado na Austrália. O plano da visita de Estado foi abortado há cerca de ano após a denúncia de que autoridades dos EUA espionaram a presidente Dilma Rousseff e órgãos ligados ao governo. Antes da conversa, Dilma e Obama ficaram lado a lado na fotografia oficial da reunião de cúpula do G-20 que acontece neste fim de semana em Brisbane.
Agenda
Logo na manhã de sábado, Dilma recebeu os líderes da Rússia, Índia, China e África do Sul no hotel onde está hospedada em Brisbane para a reunião dos BRICS. Depois, a presidente brasileira participou do encontro dos chefes de Estado e de Governo do G-20 no Parlamento do Estado de Queensland. Em seguida, Dilma esteve no almoço de boas-vindas oferecido pelo primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott.

À tarde, todos os líderes do G-20 acompanharam uma cerimônia aborígine no Centro de Convenções e Exposições de Brisbane, local que abriga a reunião das 20 maiores economias do mundo. Em seguida, Dilma participou da primeira sessão plenária. Após quase duas horas de reunião, todos os líderes participaram da foto oficial da cúpula do G-20, ocasião em que a presidente brasileira ficou ao lado do presidente dos EUA.
No início da noite, os líderes participaram de recepção oferecida pelo primeiro-ministro Abbott na Galeria de Arte Moderna de Queensland. Em seguida, caminharam alguns metros até a Galeria de Arte de Queensland, local onde acontece neste momento o jantar de trabalho dos chefes de Estado e Governo. A partir das 21h05 no horário local (9h05 em Brasília), está prevista uma apresentação cultural após o jantar. Todos os eventos foram fechados à imprensa e imagens de televisão foram captadas por apenas alguns minutos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Nove empreiteiras foram alvo de apreensões e prisões

Operação investiga uma quadrilha que teria desviado bilhões de reais dos cofres da Petrobras, tendo como destino abastecer o caixa de três partidos políticos: PT, PP e PMDB

Publicado em 14/11/2014, às 13h41


Nove empreiteiras foram alvo da sétima fase da Operação Lava Jato deflagrada nesta sexta-feira, 14. São elas: Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa Óleo e Gás. A operação é considerada pela Polícia Federal como histórica por ser a primeira vez que há uma ação envolvendo as maiores empreiteiras do País num só escândalo.
As empreiteiras foram alvo de mandados de busca e apreensão e em alguns casos de prisão de seus dirigentes. Essas empresas têm contratos com a Petrobras, que somam R$ 59 bilhões. A PF agora vai analisar todos os contratos para verificar se houve superfaturamento. 
A Lava Jato investiga uma quadrilha que teria desviado bilhões de reais dos cofres da Petrobras, tendo como destino abastecer o caixa de três partidos políticos: PT, PP e PMDB. As empreiteiras conseguiam obras na Petrobras mediante pagamento de propina.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Em rota de colisão com a liberdade

12/11/2014 15:00
Por Ana Helena Tavares, do Rio de Janeiro

"Hoje, quando caminho pelas ruas das grandes cidades, vejo que o bicho homem deixou sua esperança se petrificar e vive preso dentro de sua própria casa"
“Hoje, quando caminho pelas ruas das grandes cidades, vejo que o bicho homem deixou sua esperança se petrificar e vive preso dentro de sua própria casa”
Rui Barbosa dizia que “um povo cuja fé se petrificou é um povo cuja liberdade se perdeu”. Substituamos o conceito de fé pelo de esperança…
Hoje, quando caminho pelas ruas das grandes cidades, vejo que o bicho homem deixou sua esperança se petrificar e vive preso dentro de sua própria casa. Seja por opção, seja por medo. Pra quê se a vida, por si só, é perigosa? Como viver, em plenitude, sem a coragem que nos cobrava Guimarães Rosa?
Antigamente, costumava haver placas nas portas com a inscrição: “bem-vindo”. Agora há placas, espalhadas ao longo de arames eletrizados, onde se lê “perigo”… Foi para isso que a humanidade “evoluiu”?
E como o passarinho pousará no telhado? E como o vizinho se aventurará a pedir açúcar? E como as crianças terão um sorriso doce?
Por que o trauma tem que vencer a vida? Por que o medo tem que esconder os rostos? Por que o luto tem que tolher a paz?
O mundo árabe viveu nos últimos anos uma fase de luta por direitos essenciais, o maior deles: a liberdade. Mas, ao redor do planeta, essa palavra – esse conceito, essa utopia – ainda é o objeto de desejo mais caro e mais mal usado.
Tão logo se chega “lá”, tão logo se lambuza com o novo “brinquedo”, de tal forma que ele fica fora de controle. De tal forma que o desejo saciado desorienta.
A pergunta é: será que o homem quer a liberdade? Hoje, há empresas, como a “Ten” da Inglaterra, que oferecem um serviço chamado “Gestão de estilo de vida”. Milhares de pessoas, “sem tempo”, afundadas nos incontáveis afazeres inúteis que a pós-modernidade criou, pagam rios de dinheiro para os funcionários destas empresas, em ritmo de robôs, fazerem por elas desde coisas triviais, como escolher pãezinhos na padaria, a decisões de vida, como para qual cidade se mudar.
Liberdade não combina com comodismo e, neste sentido, a tecnologia caminha em rota de colisão com a musa de Castro Alves.
A internet que liberta, que dá asas à imaginação, que organiza revoluções, é a mesma que escraviza, que paralisa o corpo e, de forma paradoxal, também a mente. É, em número cada vez mais crescente de casos, uma prisão que atinge muito mais gente e poderá ter consequências bem mais profundas do que as senzalas que causavam horror ao “cantor dos escravos”.
No século XIX, as correntes eram símbolo de escravidão. No século XXI, são as redes. Ditas “sociais”, são, sim, muito benéficas, permitindo a interação entre pessoas do mundo inteiro. Mas viciam e proporcionam a ilusão de que, através dali, é possível saber de tudo, fazer tudo.
No entanto, o canto do passarinho jamais será o mesmo ouvido através de uma tela. E o que dizer das “fazendas” virtuais, com vacas que dão um leite que ninguém bebe e com uma grama que ninguém pisa?
O bicho homem, desorientado pelo próprio livre-arbítrio, foge da violência urbana e acaba se matando lentamente, em doses homeopáticas. Um tiro no peito é mais indolor.
Mas, para que Rui Barbosa não ache que também eu perdi a fé, vale registrar que, talvez, a esperança esteja na juventude que, nascida no computador, e cheia dele, poderá se interessar em reinventar a vida.
Ana Helena Tavares, jornalista, conhecida por seu site de jornalismo político Quem tem medo da democracia?, com artigos publicados no Observatório da Imprensa e na extinta revista eletrônica Médio Paraíba. Foi assessora de imprensa e repórter dos Sindicatos dos Policiais Civis e dos Vigilantes. Universitária, entrevistou numerosas pessoas que resistiram à ditadura e seus relatos (alguns reproduzidos na Carta Capital e Brasil de Fato) serão publicados brevemente num livro.
Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PSB continua processo de avaliação sobre relação com PT

Partido faz a última reunião com representantes estaduais na tarde de hoje

Publicado em 12/11/2014, às 08h10


Do JC Online

Governador eleito Paulo Câmara já está em Brasília para participar do encontro /

Governador eleito Paulo Câmara já está em Brasília para participar do encontro

Depois de ouvir a bancada de deputados federais, senadores e governadores ligados à legenda, o PSB finaliza a etapa de consultas que vai nortear o partido sobre o posicionamento que terá em relação ao governo federal. O encontro de hoje será com os presidentes estaduais do partido e, naturalmente, terá posições divergentes, já que alguns estados não seguiram a decisão do partido e apoiaram a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. A reunião será às 14h na sede na Fundação João Mangabeira. 
Em Pernambuco, a posição da legenda é de permanecer no campo oposto ao da presidente Dilma. No entanto, os membros do partido adotam um tom conciliador em relação ao governo da petista. Eleito para o seu primeiro cargo eletivo, o governador Paulo Câmara já se mostrou aberto ao diálogo com a presidente e disse que o partido vai ajudar no que for melhor para o Brasil. Paulo Câmara é vice-presidente nacional do PSB. Além dele, o senador eleito Fernando Bezerra Coelho também sinaliza para o diálogo. 
Esse tom de conciliação tem o objetivo de quebrar o clima de acirramento que se verificou entre o PT e PSB na fase da pré-campanha e durante a eleição presidencial. As lideranças do Estado foram as que mais fizeram críticas ao governo de Dilma Rousseff, sobretudo o prefeito do Recife, Geraldo Julio. Com o início da gestão de Paulo, não será salutar para os socialistas continuarem com uma relação conflituosa com a presidente. Por isso, Fernando Bezerra Coelho já se coloca como o principal interlocutor entre PSB e o governo federal. Ele, inclusive, já teve reuniões com ministros e com o senador Humberto Costa (PT). 
O governador eleito está em Brasília desde ontem junto com o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes. Paulo já transmitiu sua posição ao presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, mas um novo contato com todos os governadores eleitos está previsto. Depois do ciclo de conversas, haverá uma reunião da Executiva nacional para apresentar uma posição consolidada sobre o assunto. O encontro está previsto para a próxima segunda-feira. 
O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que a intenção do partido durante esse processo de consultas não é chegar a um consenso, mas formar uma posição construtiva, que defina o melhor rumo para o PSB. O socialista, no entanto, destaca que o partido continua no campo da oposição. A intenção é fechar uma posição sobre a postura que o PSB terá em relação ao governo federal - se uma posição mais crítica ou de independência. 
Até agora o ex-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, não foi consultado sobre o caso. Amaral não concordou com o apoio dos socialistas ao senador Aécio Neves no segundo turno e declarou apoio à reeleição de Dilma. 

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Vaticano aprova processo de beatificação do 'anjo surfista'

O médico brasileiro Guido Schäffer, que oferecia atendimento médico e espiritual a pessoas de poucos recursos, morreu afogado em 2009

Guido Schäffer tinha 34 anos quando morreu. 
 
Ele trabalhava gratuitamente como médico no hospital Santa Casa da Misericórdia 
Foto: Divulgação
O Vaticano autorizou a abertura do processo de beatificação do médico brasileiro Guido Schäffer, um seminarista que se caracterizou por seu compromisso com as causas sociais e que morreu em 2009, aos 34 anos, quando praticava surfe, uma de suas paixões.
A Arquidiocese do Rio de Janeiro, que postulou a candidatura do médico e surfista a beato, informou nesta segunda-feira em comunicado que recebeu do prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Ángel Amato, o "Nihil Obstat", um documento em que o Vaticano indica que não se opõe à abertura do processo de beatificação.
Agora será instalado "um tribunal para dar início aos trabalhos", segundo o comunicado da Arquidiocese, que enviou no último mês de maio ao Vaticano o pedido de concessão do "Nihil Obstat" junto com relatos da vida do candidato "que comprovam que viveu de acordo com as doutrinas da Igreja".
Schäffer é conhecido por alguns católicos cariocas como "o anjo surfista" por seu compromisso com as causas sociais e a luta contra a pobreza no Rio de Janeiro, assim como por sua paixão pela prancha de surfe, que não abandonou nem no seminário.
O médico, que oferecia atendimento médico e espiritual a pessoas de poucos recursos, morreu afogado no dia 1º de maio de 2009 após sofrer uma contusão na nuca quando surfava em uma praia do Rio.
Na época tinha 34 anos, trabalhava gratuitamente como médico no hospital Santa Casa da Misericórdia e estava a poucas semanas de ser ordenado como sacerdote.
"Sua história inspira cada vez mais outros jovens a seguirem o caminho de santidade sem deixarem de viver todas as coisas próprias da juventude", segundo a Arquidiocese do Rio.

domingo, 9 de novembro de 2014

Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PMDB não é aliado, é o governo, diz Temer

Indagado se o partido continuará com os cinco ministérios, Temer disse que a decisão é da presidente Dilma

Publicado em 07/11/2014, às 21h26


 / Foto: ABr

Foto: ABr


O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, reiterou a importância de seu partido neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) e, em entrevista ao jornal Destak, disse não ter dúvidas de que a legenda ocupará posições de destaque no governo, compatíveis com o seu tamanho. "Não somos aliados do governo, somos o governo", disse Temer, em entrevista ontem ao jornal. O perfil oficial do vice-presidente no Twitter divulgou os principais trechos da entrevista na tarde desta sexta-feira (7), destacando o papel da sigla no novo mandato de Dilma e dizendo que, na disputa pela presidência da Câmara, se tiver um candidato, mesmo do PMDB, que se coloque contra o governo, ele estará se colocando contra ele próprio, que é vice-presidente da República.
Indagado se o partido continuará com os cinco ministérios, Temer disse que a decisão é da presidente Dilma. "Ela terá sensibilidade para verificar o tamanho do PMDB e o que entrega ao PMDB. Não por ser um partido aliado, mas por ser um partido que está no governo. Agora, se serão cinco, seis, sete, quatro, é uma coisa a ser decidida. O que é importante é que o PMDB possa participar da formulação das políticas públicas do País", disse, citando as áreas da educação, saúde, política econômica e cultura. Ao falar da proposta de reforma política, o vice-presidente da República disse que esta é uma decisão do Congresso Nacional, por meio de consulta popular, seja de plebiscito ou de referendo.
Sobre as diversas correntes que seu partido abriga, algumas contrárias ao próprio governo, Temer disse que isso é natural e legítimo e repetiu o discurso da presidente Dilma Rousseff sobre a importância do diálogo. "O que faço como presidente do PMDB e vice-presidente da República? Tento compor estes interesses. Como você compõe? Primeiro o diálogo. Você tem de conversar muito. Na democracia, você tem de conversar. E saber, especialmente, ouvir."
A respeito do imbróglio para a presidência da Câmara, que está opondo seu partido ao PT, em razão da candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer disse que é preciso esperar os acontecimentos. Questionado se apoiará o correligionário, foi taxativo: "Eu só posso apoiar se não ficar na oposição, se tiver um candidato, ainda que seja do PMDB, que se coloque contra o governo, ele está se colocando contra mim, que sou vice-presidente da República."

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Confira, ponto a ponto, a entrevista completa da presidente Dilma

A jornalistas, ela garantiu que governo fará ‘dever de casa’, cortar gastos e controlar a inflação

 

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http://oglobo.globo.com/brasil/confira-ponto-ponto-entrevista-completa-da-presidente-dilma-14493604

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Virgílio diz que Aécio é 'candidato natural' em 2018

RICARDO BRITO E NIVALDO SOUZA - Estadão Conteúdo

05 Novembro 2014 | 12h 13

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), defendeu nesta quarta-feira, 05, o senador Aécio Neves (MG) como "candidato natural" do partido a presidente da República em 2018. Ex-líder do PSDB no Senado e um dos principais quadros partidários, Virgílio argumentou que Aécio teve uma expressiva votação para presidente na atual eleição e conseguiu angariar importantes forças políticas em torno do projeto dele.
"Entendo que é a vez dele", disse o prefeito de Manaus, em entrevista ao Broadcast Político antes do encontro do PSDB com parlamentares e governadores eleitos do partido e de aliados políticos.
Virgílio afirmou que, desde a última reeleição de Fernando Henrique Cardoso, no primeiro turno de 1998, um candidato do PSDB não teve melhor desempenho do que Aécio no segundo turno. O senador mineiro, que é presidente do PSDB, obteve 51 milhões de votos e ficou a apenas 3,4 milhões atrás da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT). As derrotas anteriores do PSDB, do atual senador eleito José Serra e do governador reeleito Geraldo Alckmin (SP), foram por uma margem maior. Serra e Alckmin são potenciais candidatos a presidente.
O prefeito disse que Aécio é o "Messi" e concorreria em 2018 até mesmo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado se Lula não seria o Messi do PT, ele ironizou: "O Lula é mais um Michel Platini, que está aposentado". Para o tucano, o ex-presidente não tem a mesma força política que já teve.
Virgílio, contudo, disse que o partido não precisa antecipar a escolha do nome que vai disputar a corrida ao Palácio do Planalto daqui a quatro anos. E ressalvou que Aécio precisar manter a liderança dentro do partido para se consolidar como candidato para uma nova disputa presidencial.
O prefeito disse que o partido precisa, nos próximos quatro anos, fazer um trabalho para conquistar o eleitorado em Estados do Sudeste em que perdeu no segundo turno, como Minas Gerais, além de melhorar o desempenho no Norte e no Nordeste - nesta região o PT conquistou uma vantagem de 12 milhões de votos no segundo turno.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PT exalta importância na campanha e pede diálogo direto com Dilma

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às
 
 
Texto Segundo a cúpula petista, para um segundo mandato, Dilma e o partido precisarão de uma maior aproximação com partidos de esquerda e movimentos sociais
Em reunião nesta segunda-feira (3), a executiva do PT avaliou como fundamental a participação do partido na reeleição da presidente Dilma Rousseff. A cúpula petista ainda avaliou que é necessário um diálogo mais direto com a presidente para a formação de seu novo governo.
Em resolução divulgada após a reunião, o PT ressalta o papel do partido na reeleição. “Uma vitória, sobretudo, do PT e do nosso projeto, que conquista um quarto mandato, algo que nenhuma outra força política havia alcançado até agora no País”, informa o documento.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE),considerou que o PT precisa ter reforçado seu papel no governo. “Quando a gente fala em ampliar o diálogo, é também reforçar o papel do PT no governo. A presidente já deu ao nosso presidente [Rui Falcão] status maior para participar do governo. É só aprimorar e lubrificar um pouco mais os esforços", disse Costa, ao sair do encontro, que definiu a organização da reunião do diretório nacional marcada para os próximos 28 e 29 deste mês, em Fortaleza.
A presidente será convidada a participar da reunião do diretório. A escolha da capital cearense se deu porque é a primeira vez que o partido ganha o governo do Ceará, com Camilo Santana, que venceu as eleições apoiado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes.
O documento resultante da reunião da Executiva aponta ainda para a chamada “guinada à esquerda”, considerada necessária para que Dilma faça um segundo governo melhor que o primeiro. Esta guinada, de acordo com a cúpula petista, passa por resgate da relação com movimentos sociais.
Leia também: Dilma planeja destravar plano de infraestrutura no novo governo
“Para que a presidente possa fazer um segundo mandato superior ao primeiro, será necessário, em conjunto com partidos de esquerda, desencadear um amplo processo de mobilização e organização de milhões de brasileiros e brasileiros que saíram às ruas para apoiar Dilma Rousseff, mas também para defender nossos diretios humanos, nossos direitos à democracia, ao bem estar social, ao desenvolvimento à soberania nacional”, informa o documento.
 
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domingo, 2 de novembro de 2014

Planalto se preocupa com clima de hostilidade do PMDB no Congresso

Por Painel
03/11/14 02:00

Campo minado O Planalto passou a reconhecer o risco real de novas derrotas no Congresso até o fim do ano. Há forte preocupação com o clima de hostilidade capitaneado pelo PMDB. Para articuladores do governo, a derrubada do decreto dos conselhos populares, dois dias após Dilma Rousseff se reeleger, não foi fato isolado. Será preciso acelerar um movimento de “reaglutinação” da bancada governista para aprovar medidas urgentes, como a alteração da meta do superavit primário de 2014.
Menos é mais O governo admite que precisará fazer concessões a deputados e senadores, mas quer negociar uma pauta enxuta de votações, para não deixar todo o poder nas mãos dos líderes do Congresso.
Muita calma “É um momento de transição no Congresso. É preciso sabedoria e serenidade de todos os lados”, diz o ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), cotado para a “cozinha” do Palácio do Planalto a partir de janeiro.
Ex-sonháticos As bancadas do PSB na Câmara e no Senado se reúnem na terça-feira para definir a “força” com que farão oposição ao governo Dilma no Congresso.
Sem tucanar “A disposição é de militar na oposição. Mas não vamos ser apêndice do PSDB”, diz o senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PE), ex-ministro de Dilma.
Haja saliva A Presidência fará pregão no dia 12 para contratar uma empresa responsável pela organização de 432 fóruns, cúpulas, reuniões preparatórias e outros eventos em 2015. Preço estimado do contrato: R$ 71,5 milhões.
Luluzinhas Só a Secretaria de Políticas para as Mulheres organizará 136 eventos, para 42.970 pessoas.
Amigo da rainha Correntes mais à esquerda do PSOL se incomodaram com os gestos de boa vontade de Jean Wyllys (RJ) com Dilma. O deputado não será enquadrado, mas a sigla quer reforçar que é oposição ao governo.
Antes só O presidente do DEM, José Agripino, diz que a negociação com o Solidariedade só prevê a formação de bloco na Câmara. “A fusão não está na ordem do dia do comando do partido.”
Quem te viu Atacada pelo PT no primeiro turno, a educadora Neca Setubal, que coordenou o programa de governo de Marina Silva, diz que a subida na taxa de juros logo depois da reeleição de Dilma “é a coisa mais irônica da campanha”.
Quem te vê Petistas sustentavam que a herdeira do Itaú faria Marina ceder aos interesses dos banqueiros. “E ainda falam no Luiz Carlos Trabuco para ministro da Fazenda!”, diz ela, referindo-se ao presidente do Bradesco.
Projeto 2018 Neca diz que Marina certamente não repetirá a linha pós-2010, quando se afastou da política institucional. “Ela será mais atuante, sem dúvida.”
Adolar
Hoje não O deputado Paulo Maluf (PP-SP) pechinchou, mas não levou o Porsche Spyder no Salão do Automóvel. “Com R$ 4 milhões, invisto em prédio de renda. Não fiquei louco ainda.”
Bloquinho O PRB de Celso Russomanno, que elegeu quatro deputados estaduais em SP, acertou um bloco com partidos nanicos que apoiam Geraldo Alckmin. Unidas, as siglas terão sete cadeiras.
Boquinha A sigla, que já tem Procon e Secretaria de Desenvolvimento Social, quer mais espaço no governo. Nós só tínhamos dois deputados. Se a lógica é a proporcionalidade, nosso espaço tem que aumentar”, diz o presidente Marcos Pereira.

TIROTEIO
“Dilma vai enfrentar sua própria herança maldita. É o efeito bumerangue. Alta nos juros e déficit fiscal recorde são só o começo.”
DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre o noticiário de economia na semana seguinte à reeleição da presidente.

CONTRAPONTO
Focinho do outro
Requisitado como cabo eleitoral de luxo por mais de dez candidatos à Assembleia Legislativa do Rio, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acabou trocando as bolas em sua romaria em busca de votos.
—Um dia, fui chegar numa dessas loucuras, e ficou todo mundo me olhando de cara feia. Eu estava com o bottom de outro candidato!
Ele saía de um ato do Dr. Audir e foi direto para outro de Graça Matos, ambos colegas peemedebistas.
Nenhum dos dois se elegeu deputado estadual. Cunha votou em outro candidato do partido.